Ter a presença de Deus, não é comum como os homens dizem!

Entretanto, havia um homem chamado Ananias que, junto com sua mulher Safira, vendeu uma propriedade e levou somente parte do dinheiro para os apóstolos, guardando o restante para ele. Safira sabia disso e concordou com a atitude do marido. Então Pedro lhe disse:

—Ananias, por que você deixou que Satanás enchesse o seu coração, para que mentisse ao Espírito Santo, ficando com parte do dinheiro da venda do terreno? O terreno não era seu, antes de você vendê-lo? E depois que você o vendeu, não tinha a liberdade de fazer o que quisesse com o dinheiro? Por que decidiu fazer isso? Você não mentiu para os homens, mas sim para Deus!

Ao ouvir estas palavras, Ananias caiu morto, e todos os que souberam dessas coisas ficaram com muito medo. Alguns jovens se levantaram, cobriram-lhe o corpo, levaram para fora e o enterraram.

 Mais ou menos três horas mais tarde chegou Safira, ainda sem saber o que tinha acontecido a seu marido. Pedro, então, lhe perguntou:

—Diga-me uma coisa: Foi por este preço que você e o seu marido venderam o terreno?

Ela respondeu:

—Sim, foi por essa quantia.

Então Pedro lhe disse:

—Por que você e seu marido concordaram em pôr à prova o Espírito do Senhor? Olhe! Os jovens que acabaram de enterrar seu marido estão aí e agora eles vão levar você também.

E no mesmo instante ela caiu morta aos pés de Pedro. Ao entrarem os jovens, viram que ela estava morta e a levaram para fora e a enterraram ao lado de seu marido. E um grande temor veio sobre toda a igreja e sobre todos aqueles que ficaram sabendo dessas coisas."

( Atos 5: 1-10 )


Introdução:
 
Muitos hoje dizem querer a presença de Deus, buscam sentir sua força, falam em "carregar a unção" por onde passam. Mas raro paramos para perguntar: com qual coração, com qual motivação buscamos o Senhor?

"Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou."
( I João 2:27 )
 
Há quem procure a presença de Deus para parecer importante, para ganhar poder sobre outros, para obter vantagens ou até como se fosse um produto que se adquire. Mas a Palavra de Deus nos alerta, com exemplos duros e verdadeiros: Deus não se deixa enganar. A sua presença é sagrada, não se negocia, não se finge e não se recebe por corações desalinhados com a verdade.
 
Vamos refletir juntos sobre isso, através das Escrituras.
 
I. Muitos dizem ter a presença — mas será que é verdade?
 
Na história de Simão, o mágico, vemos uma realidade muito comum também hoje. Ele iludia o povo de Samaria, fazia-se passar por "o Grande Poder de Deus", e todos o admiravam — mas ele não conhecia nem a Deus, nem o amor verdadeiro.
 
Quando ouviu o evangelho de Filipe, até se aproximou, foi batizado e acompanhava o trabalho dos apóstolos. Mas por dentro, sua motivação continuou a mesma: ele queria o poder, não o Deus de todo poder. Queria ver sinais, ter prestígio, ser visto como alguém especial.
 
Muitos hoje fazem o mesmo: usam palavras piedosas, falam com fervor, se apresentam como quem "traz a presença de Deus" — mas o coração está cheio de interesse próprio, vaidade ou desejo de domínio. A presença de Deus não é uma aparência, não é uma marca que se veste: ela muda o coração, e se revela na verdade e na humildade.
 
II. A presença de Deus não é mercadoria — não se compra, não se vende
 
Quando Simão viu que os apóstolos transmitiam o Espírito Santo pela imposição de mãos, teve uma ideia absurda: ofereceu dinheiro para comprar aquele poder. Pensou que o dom de Deus poderia ser tratado como um negócio.
 
Pedro foi firme e direto:
 
"O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus. Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus." 
(Atos 8:20-21)
 
Quantos repetem esse erro hoje? 

Há quem venda "bençãos", "unções especiais", "poder para agir"; há quem pague por receber algo de Deus, ou pense que sua posição, riqueza ou fama dão direito a levar a presença divina. A graça de Deus é dom gratuito! Ninguém compra, ninguém vende, ninguém negocia o que pertence ao Senhor.
 
III. A Arca: o símbolo vivo da presença de Deus!
 
No Antigo Testamento, a Arca da Aliança era o lugar onde Deus manifestava a sua presença entre o seu povo. Não era um objeto comum, nem um amuleto: era o próprio Senhor que ali se fazia presente.
 
Cuidar da Arca, respeitar a sua santidade e viver conforme a aliança representada nela era o dever de todos — especialmente dos sacerdotes, que deviam zelar pela glória de Deus.
 
Mas com o tempo, o povo e os líderes começaram a tratar a Arca como se fosse um "sorteio da vitória", como se bastasse levá-la para vencer batalhas, sem que houvesse verdadeira conversão ou obediência. Esqueceram que a presença de Deus não protege o pecado, nem aproxima-se de quem a desonra.
 
"E foi tomada a arca de Deus; e os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, morreram." 
(I Samuel 4:11)
 
IV. Desonrar a presença traz consequências: a lição de Eli e seus filhos.
 
Eli era sacerdote e juiz de Israel, mas falhou gravemente: viu seus próprios filhos, Hofni e Fineias, desonrarem o serviço de Deus, abusarem do povo e profanarem o que é sagrado — e não agiu com firmeza. Eles usavam o lugar de proximidade com Deus para satisfazer seus próprios desejos, e tratavam a presença divina como algo que podiam manipular.
 
Quando levaram a Arca para a batalha contra os filisteus, pensaram: "Com a Arca conosco, venceremos!" Mas Deus não estava com eles: o coração do povo e dos líderes estava longe. Houve derrota, morte de muitos — inclusive dos filhos de Eli — e a própria Arca foi levada pelo inimigo.
 
Quando o velho Eli, ouviu a notícia de que a Arca de Deus havia sido tomada, caiu, e morreu.

Ele julgou Israel por 40 anos, mas não entendeu que não se pode servir a Deus e ao próprio interesse; não se pode guardar a forma da fé e perder a essência da sua presença.
 
A nora de Eli, ao dar à luz no meio da dor, deu ao menino o nome de Icabô, que significa: "Foi-se a glória de Israel". Porque onde não há santidade, obediência e verdade — a glória do Senhor não permanece.
 
V. Com Deus não se brinca: o aviso de Ananias e Safira nos adverte!
 
Não foi só na época de Eli ou de Simão que pessoas tentaram enganar a Deus.

No início da igreja primitiva, Ananias e Safira venderam uma propriedade, guardaram parte do valor, e apresentaram o resto como se fosse tudo — mentindo não aos homens, mas ao Espírito Santo.
 
Pedro lhes disse: "Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?"

E ambos caíram mortos, um após o outro. Não é que Deus seja cruel — mas Ele é santo. Não tolera hipocrisia, não aceita quem finge amar a sua presença enquanto vive na mentira.
 
Brincar com as coisas de Deus, fingir devoção, usar a fé para aparências: isso é o mesmo que testar o Senhor, e ninguém vence a Deus.
 
VI. Jesus Cristo: Ele é a presença de Deus verdadeira.
 
Tudo isso nos leva a uma única conclusão: não há verdadeira presença de Deus fora de Jesus Cristo.
 
Ele mesmo disse: "Quem me vê, vê o Pai" (João 14:9). E também: "Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:20).
 
Não buscamos símbolos, não buscamos poder por poder, não buscamos honras: buscamos Aquele que é a própria presença de Deus. E recebemos essa presença quando nos abrimos a Ele com coração sincero, arrependido e disposto a obedecer.
 
Conclusão.
 
Quem realmente quer a presença de Deus não quer só o que ela traz: quer o próprio Deus. Não a trata como mercadoria, não a usa para parecer melhor, não brinca com a sua santidade.
 
Hoje, Deus pergunta a cada um de nós: por que você quer a minha presença?
 
Seja para ser visto, para ter poder, ou para amar, obedecer e refletir a sua glória por onde andar?
 
Que o Senhor purifique nossos corações, tire de nós toda falsidade, todo interesse próprio, e nos ensine a estar diante d'Ele com humildade — porque a sua presença é vida, e só permanece onde há verdade.

JCD

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