A boca saliva, expressa do que está cheio o Coração!

Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração.
( Mateus 12:34 )

A Sagrada Escritura não é um livro antigo e distante: ela é viva, eficaz e poderosa, como se fosse um jornal atual — pois o seu Autor está vivo e fala diretamente ao coração de cada um, em qualquer tempo ou época.

Ao meditar no versículo de Mateus 12:34, percebi que ele toca uma das feridas mais profundas da humanidade: a ilusão de que podemos separar quem somos do que dizemos, de que podemos esconder a maldade interior por trás de palavras polidas, piedosas ou agradáveis. Mas Jesus nos ensina algo radical: a linguagem não é apenas uma ferramenta de comunicação — é o espelho onde se reflete o que realmente habita nosso coração.

COMO PODEMOS FALAR COISAS BOAS SENDO MAUS? 
 
O Evangelho de Mateus, capítulo 12, versículo 34:
 
“Raça de víboras! Como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração.”
 
Jesus adverte aqui sobre uma realidade que atravessa os séculos: não é o que entra na boca que suja o homem, mas o que sai dela — pois revela o que habita o interior. Não se trata de regras sobre alimentos: se ingerirmos veneno, certamente precisaremos de socorro médico, mas Jesus fala de outra contaminação: a que vem das intenções, desejos e escolhas do coração.
 
Quando chama os ouvintes de “raça de víboras”, usa uma imagem forte: são pessoas que vivem a “serpentear”, conectadas à antiga serpente — que chega com palavras doces como mel, mas traz por trás veneno mortal.
 
Por que o coração mau não pode produzir o bem verdadeiro?
 
Se alguém com o coração corrupto fala palavras aparentemente boas, agradáveis ou piedosas, saiba: há quase sempre um plano ou intenção maligna por trás. O mal está inserido nessas palavras, mesmo que elas pareçam corretas. Pois é do coração que procedem todas as motivações: prostituição, adultério, violência, mentira, inveja, egoísmo, ódio e toda espécie de maldade.
 
Mesmo quem já foi transformado por Cristo ainda luta com a natureza pecaminosa: o velho homem deve ser combatido e vencido todos os dias. E para todos, a Escritura adverte: “De tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Provérbios 4:23).
 
 
 A LINGUAGEM COMO ESPELHO DA ALMA!
 
A língua é um dos membros mais poderosos do corpo: como ensina o apóstolo Tiago, ela pode provocar discórdias, guerras e destruição — pois expressa o que o coração carrega. O que dizemos, como falamos e a intenção por trás de cada palavra revela quem realmente somos:
 
- Quem usa linguagem violenta ou agressiva demonstra, na maioria dos casos, ter intenções e inclinações violentas;
- Quem mente, calunia, difama ou fala mal dos outros mostra que a agressão e a falsidade reinam em seu interior;
- Quem usa expressões imorais ou indecentes revela as inclinações da sua alma;
- Até as brincadeiras que humilham, diminuem ou desmoralizam o outro expõem o que está escondido no coração.
 
Nossas palavras são como uma confissão involuntária: abrimos o livro da nossa vida para que todos leiam quem realmente somos. Não é apenas o que falamos: nossa forma de agir, nossas reações e até nossos gestos revelam o que carregamos dentro de nós.
 
O exemplo de Balaão
 
O profeta Balaão aceitou ser pago para amaldiçoar o povo de Israel — o que ele queria dizer com a boca era exatamente o que havia no seu coração. Mas Deus, em sua misericórdia, usou até um jumento para impedir que ele colocasse para fora toda a maldade que carregava.
 
RAÍZES DA DOENÇA DA LINGUAGEM!
 
Muitas vezes repetimos o que vemos e ouvimos: imitamos pessoas que admiramos, aceitamos como “normal” o que elas dizem e fazem, e acabamos adotando o mesmo modo de falar — e com isso, o mesmo caráter doentio. Passamos a culpar todos ao nosso redor, a ver maldade em tudo e a crer que “todo mundo é assim”.
 
Alguns chegam a dizer: “Eu nasci assim, sou mesmo assim, vai ter que me aceitar”. Mas essa é uma mentira: ninguém tem o direito de fazer dos vícios da língua — a violência, a mentira, a maledicência — os seus ídolos. Como disse João Calvino, o coração humano é uma fábrica de ídolos: e se deixamos a maldade dominar nossa fala, ela passa a dominar todo o nosso ser.
 
A diferença entre falha momentânea e vício
 
É verdade que a Escritura diz: “Irai-vos e não pequeis” (Efésios 4:26). Qualquer um pode, num momento de fraqueza ou dor, expressar ira ou agressividade — e se errarmos, temos em Jesus Cristo um advogado que nos perdoa. O problema começa quando fazemos da linguagem destrutiva um hábito, quando achamos ela bonita ou natural, e não queremos renunciar a ela.
 
O CAMINHO DA MUDANÇA.
 
Muitas pessoas querem que os outros as tratem com bondade, respeito e verdade — mas não hesitam em usar com os mesmos outros a violência, a mentira e a malícia que não suportam receber. Esquecem da regra de ouro ensinada por Jesus: “Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho também vós” (Mateus 7:12).
 
Não somos perfeitos, e nunca seremos nesta terra — mas não podemos usar a imperfeição como desculpa para alimentar a maldade. Se percebemos que nossa boca revela um coração doente, voltemos a Cristo: peçamos que ele renove nosso interior, guarde nossos lábios e transforme nossos desejos, para que a nossa fala seja sempre de graça, verdade e amor.
 
Que Deus abençoe a todos!

JCD

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